
É simplesmente um momento histórico.
Talvez nestes últimos 70 dias, pouco nos lembramos destes homens que dia após dia se sustentavam no desejo de viver, ou melhor, de reviver.
Mas com certeza, não houve quem nestas últimas horas não parou por alguns instantes e pensou no que significa estar por tanto tempo sem as coisas mais preciosas que temos na vida família, parentes, amigos, sol, comida e tantas coisas que nos cercam.

E é nesta data histórica 14 de Outubro, após 22 horas de trabalho, que o último mineiro chileno foi resgatado da mina San José, no Chile.
Olho para estes homens e vejo tanto para minha vida, para minha história.

A lição que os 33 homens deixam é de que a vida é bem melhor quando partilhada, dividida. Ensinaram que em equipe é necessário unidade, partilha, ânimo, coragem, ousadia e muita esperança a se dar e receber.
Dividir o pouco, como nos primeiros 17 dias em que eles não sabiam o que iria acontecer, e de fato o tão pouco a ser partilhado (água, leite e atum), sem saber o que seria o fim dessa história, mostrando que no mundo, nos pequenos grupos, na vida coorporativa não entendemos nada sobre o espírito de sermos equipe e o que de fato significa “juntos é possível alcançar a vitória”.
Que ser líder, não significa ser o primeiro, mas o último; que é ser o incentivador, não aquele a destruir a esperança ou expectativa de sucesso; lutar, mesmo que isso custe o preço de ser o último, mas nem por isso com o ânimo desfalecido, mas com a garra que Luiz Urzua, líder do grupo chegou depois de enfrentar os 70 dias nos quase 700 metros de profundidade.
Vejo nestes homens (33 em uma simbologia interessante, lembrando a idade de Cristo ao morrer na Cruz por Amor), o verdadeiro Evangelho da vida, muito falado, pouco vivido.
Eles tinham tudo em comum, como Cristo nos ensina em sua Palavra. Dividiam espaço, alimento, lutas e desafios, sendo pontes e fontes de esperança uns aos outros.
Por mais que tenha um cunho estratégico de resgate, viveram exatamente: “Quem quiser ser o primeiro, seja o último”.
Tão cedo não esquecerei as expressões nos rostos, gestos e o grito que ecoava a cada resgate dos homens que renasceram: “Chi-Chi-Chi-le-le-le-viva los mineros de Chile”
