sexta-feira, 24 de setembro de 2010

EU E A PRIMAVERA




Fiquei durante este fim de noite, inicio de madrugada, pensando nos contrários da vida.
Essa semana tivemos inicio a Primavera e a há exatos um ano retomava de forma mas consistente a idéia de manter o blog: Flor_de_Liz.
Naquele momento eu falava das expectativas de um novo tempo, de uma nova primavera e encontro ai os contrários da vida, do tempo e de mais uma Primavera.
Contrários que vivi, sonhos que precisaram ser colocados por mais um tempo no baú da esperança, encontros que gostaria que durassem por tempo indeterminado, mas que pela despedida produzem em mim a saudade do abraço.
Contrários onde a necessidade do silencio é maior do que qualquer palavra ...o tempo da maturação.
Ouço esse silencio da madrugada e vejo que seu contrário com o dia produz aqui em meu peito o desejo não de entender, por que cá entre nós não seria possível, mas de viver os contrários que de fato há em mim.



Contrários
(Pe Fábio de Melo)


Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais

Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar

Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar

E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer

Que o verso tem reverso
Que o direito tem o avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E o ódio é uma forma tão estranha de amar

Que o perto tem distâncias
E o esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema, a solução
E o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.

Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar

Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar

Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer

sábado, 18 de setembro de 2010

PENSAMENTOS SOLTOS
















Em uma noite fria de setembro
Ouvindo o zunir do vento gelado
Percebo que ainda não voltastes

Por um instante achei que anteciparias tua volta
Mas não
Cá estou, em mais uma noite de solidão

As luzes das estrelas me cercam
Na tentativa de me seduzir
Mas este coração não o trocaria
Pela sedução ilusória de uma noite de luz.

Fico com meus pensamentos soltos
Na tentativa de o encontrá-lo talvez.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

ESTAÇÃO: TEMPO

“Deus sabia que precisaríamos de ritmo para crescer e amadurecer...”
(Emmir Nogueira)





Hoje saindo sem aquela pressa que o cotidiano me exige, pude prestar atenção de como o jardim mudou; hoje já é 01 de Setembro e a natureza já anuncia: estamos às vésperas de uma nova estação.
As flores já desabrocharam e encantam, onde em um espaço que até dias atrás só haviam galhos secos, sem nenhuma possibilidade para a aparente beleza.
Talvez no ritmo da estação da vida, eu esteja também passando pelo processo chamado Estação Tempo.
Entendo que é reconstrução a partir da desconstrução. O processo necessário a vida, que é movimento, cíclica, que muda conforme a maturidade necessária ou as respostas que são necessárias a vida, sendo um processo dinâmico na forma constante de viver.
Não existira o obvio no processo, mas a descoberta diária das infinitas possibilidades, afinal quero fugir aqui de um tempo somente cronológico e me ater no tempo que é infinito, que é interior.
Deixo para acabar um texto poético do teólogo Urs Von Baltazar, de incrível beleza.

Entrega-te, pois, à graça do tempo que é tão longo como a graça. Tu não podes interromper a música a fim de a prender e arrecadar. Deixa-a correr, fugir; de outro modo não a entenderás (... )O que é eterno se sobrepõe ao tempo e é sua colheita e todavia só se realiza a si mesmo no decorrer do tempo. (...) Não amadurecemos, não enriquecemos senão por meio duma ininterrupta renúncia de todos os momentos. (...) Tu não podes armazenar o tempo. Aprende com ele a arte de dissipar. (...) Nele adivinhamos o doce âmago da vida: a oferta de um infatigável amor. Deixa-o correr!(...) Ele é escola de superabundância, escola de magnanimidade, a grande escola de amor.