
Fiquei durante este fim de noite, inicio de madrugada, pensando nos contrários da vida.
Essa semana tivemos inicio a Primavera e a há exatos um ano retomava de forma mas consistente a idéia de manter o blog: Flor_de_Liz.
Naquele momento eu falava das expectativas de um novo tempo, de uma nova primavera e encontro ai os contrários da vida, do tempo e de mais uma Primavera.
Contrários que vivi, sonhos que precisaram ser colocados por mais um tempo no baú da esperança, encontros que gostaria que durassem por tempo indeterminado, mas que pela despedida produzem em mim a saudade do abraço.
Contrários onde a necessidade do silencio é maior do que qualquer palavra ...o tempo da maturação.
Ouço esse silencio da madrugada e vejo que seu contrário com o dia produz aqui em meu peito o desejo não de entender, por que cá entre nós não seria possível, mas de viver os contrários que de fato há em mim.
Contrários
(Pe Fábio de Melo)
Só quem já provou a dor
Quem sofreu, se amargurou
Viu a cruz e a vida em tons reais
Quem no certo procurou
Mas no errado se perdeu
precisou saber recomeçar
Só quem já perdeu na vida sabe o que é ganhar
Porque encontrou na derrota algum motivo para lutar
E assim viu no outono a primavera
Descobriu que é no conflito que a vida faz crescer
Que o verso tem reverso
Que o direito tem o avesso
Que o de graça tem seu preço
Que a vida tem contrários
E a saudade é um lugar
Que só chega quem amou
E o ódio é uma forma tão estranha de amar
Que o perto tem distâncias
E o esquerdo tem direito
Que a resposta tem pergunta
E o problema, a solução
E o amor começa aqui
No contrário que há em mim
E a sombra só existe quando brilha alguma luz.
Só quem soube duvidar
Pôde enfim acreditar
Viu sem ver e amou sem aprisionar
Quem no pouco se encontrou
Aprendeu multiplicar
Descobriu o dom de eternizar
Só quem perdoou na vida sabe o que é amar
Porque aprendeu que o amor só é amor
Se já provou alguma dor
E assim viu grandeza na miséria
Descobriu que é no limite
Que o amor pode nascer

